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O paradoxo do luxo


Ao tentar ser um consumidor responsável num mundo globalizado e interligado, onde cada ato que tomamos tem consequências que não reconhecemos para outras pessoas no mundo, as vezes pode sentir estar no paradoxo do trem, onde pode desviar ele para matar somente uma pessoa ou não fazer nada e deixar três pessoas morreram

Não importa o que fizer, pessoas serão afetadas, pois as duas opções que você tem estão limitadas entre escolher aquela que terá o menor dano possível (porque sim, haverá dano), ou ignore o problema e não faça parte dele, pelo menos conscientemente.



Nos últimos dias, o agitado mundo da moda, que tem o costume de esquecer como as tendências e notícias podem afetar a forma de como funciona, tem visto como um grupo de ativistas invadiram o desfile de primavera 2022 ready-to-wear da Louis Vuitton, a marca líder de roupas e acessórios de luxo. No meio do caos, com os rostos inertes dos modelos desfilando entre os ativistas e convidados, que sabiam exactamente o que estava acontecendo mas tentaram parecer confusos, dava para ler os cartazes que contrastavam com o lugar de luxo pela qualidade rústica mas claramente diziam: ‘consumismo excessivo = extinção’.

Porém, este tipo de protesto não é novo para a indústria. Em 2002, ativistas invadiram o desfile da Victoria’s Secret para protestar contra Gisele Bundchen que recentemente tinha assinado um contrato com a Blackgrama, uma marca especializada em casacos de pele. O que faz deste evento peculiar é a mensagem específica dos cartazes, que levanta a conversa sobre o excesso de consumo, um problema que a moda é estruturalmente e obviamente responsável, mas que levanta questões sobre o formato e condições.

Quando falamos sobre o fast fashion (ou “moda rápida”), a resposta é óbvia: a indústria representa 10 por cento das emissões de CO2 no mundo (GreenPeace México, 2021), o que é motivo suficiente para destacar a indústria. No entanto, o local escolhido para enviar a mensagem e o destinatário desejado, a moda de luxo, não lidera exclusivamente com a dinâmica de produção, vendas e resíduo como o fast fashion precisa liderar. Aliás, muitas das peças à mostra no desfile tinham sido feitas mais como um investimento do que simplesmente peças de roupa. Pois, foram feitas para durar e serem usadas através dos anos. A natureza da moda do luxo vai contra o consumismo excessivo.

No entanto, como no paradoxo do trem, a solução não é simples. Apesar de ser verdade que a indústria da moda de luxo não é baseada em ganhar lucro pelas vendas, é possível que os clientes-alvo consumam demais. E é isso mesmo o que fazem.


Nós humanos não tomamos decisões pelo modelo empresarial e sim pelo desejo, algo que as grandes marcas da moda sabem muito bem como explorar. Cada temporada chegam novas coleções e fazem que a bolsa que o cliente comprou uns meses atrás seja algo antiquado e pronto para jogar fora, dar de presente, ou ficar no fundo do armário para ser substituído com uma “melhor”, apesar de que teoricamente a bolsa velha poderia funcionar perfeitamente por décadas. Este fenômeno leva ao fast fashion que se alimenta com as tendências da moda do luxo: um ciclo vicioso de desperdício e como os ativistas expressaram com toda a verdade, o consumismo.

Referência:

GreenPeace México. 29 de Janeiro de 2021. Fast Fashion: from your wardrobe to the bin. https://www.greenpeace.org/mexico/blog/9514/fast-fashion/


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